3.3 Oeste da Bahia

Oeste da Bahia

 

Os cinco campi da Universidade Federal do Oeste da Bahia possuem sua geografia física pertencente a bacia hidrográfica do rio São Francisco. As águas do São Francisco possuem importância fundamental tanto para os ribeirinhos quanto para o brasileiro. Além de suas riquezas naturais, o Velho Chico contribui não apenas com o seu potencial físico em uma região castigada pela seca, mas também pelo seu patrimônio histórico-econômico-cultural.

Apesar da grande diversidade ambiental da Bacia do São Francisco, o Oeste Baiano pertence em sua maior totalidade ao bioma do cerrado, embora possua alguns vestígios de mata atlântica e caatinga em zonas de transição próximo ao São Francisco.

O processo de desenvolvimento do Oeste baiano teve como determinantes principais a disponibilidade de recursos naturais, solos planos de cerrado, com precipitação regular e temperaturas amenas; a intervenção governamental, na forma de políticas de implantação de infraestrutura, de irrigação, fundiárias e creditícias; os fluxos de capitais privados que complementaram o aporte de capital estatal e a presença de atores sociais diferenciados em relação aos agentes econômicos tradicionais do mundo rural baiano[1].

A região ganhou um importante impulso através da integração rodoviária ocorrida somente na década de 70 a partir da até então incomum intervenção governamental por meio da construção de rodovias e implantação de projetos de irrigação. A construção de uma das três pontes sobre o Rio São Francisco no município de Bom Jesus da Lapa foi outro importante traço de desenvolvimento uma vez que permitiu a conexão dos municípios do Oeste Baiano à Salvador e Brasília[2].

Apesar do crescimento econômico do Oeste Baiano ter melhorado os indicadores de qualidade de vida da população, este desempenho foi concentrado em pequenas ilhas de desenvolvimento. Não muito distante, encontra-se uma realidade econômica muito diferente. Uma importante parcela da população vive da subsistência em pequenas lavouras e da promoção da agricultura familiar, longe das altas tecnologias agrícolas e da abundância de recursos hídricos.

Os dados de PIB, PIB per capita, IDHM, IVS e Índice de Gini revelam esse quadro contrastante. Em 2008, ao fazer um comparativo dos maiores e menores PIB do território UFOB, os 10 maiores municípios da região possuíam uma razão de quase 25 vezes mais riqueza que as 10 menores cidades. No ano de inauguração da UFOB, em 2014, essa diferença chegou a 31 vezes. Já em 2016, último ano de disponibilidade dos dados do PIB, essa razão recuo para aproximadamente 24 vezes, demonstrando ainda o longo caminho que Governo, Universidade e entes públicos tem pela frente no combate à desigualdade social na localidade.

 

 

 

Ao fazer uma comparação do PIB per Capita do referido território ao longo dos anos de implantação do ICADS/UFBA até os anos UFOB, vemos ainda grandes discrepâncias e contrastes econômicos. O PIB per capita é um importante indicador de desigualdade social, em 2008, o município de São Desidério possuía uma renda per capita de R$ 38.428, sendo quase 17 vezes maior que o PIB per capita da cidade de Matina, última colocada entre os 80 municípios na época. No ano de 2014, essa diferença alcançou o auge da sua relação com o município de São Desidério, ainda em primeiro (1º) lugar no ranking de PIB per capita, a cidade apresentou uma razão 26 vezes maior que Mansidão na época o último colocado no ranking dos 80 municípios UFOB, e como uma forma de incentivar o desenvolvimento da região, o primeiro internato rural do curso de Medicina foi realizado nesta cidade.

Em 2016, essa proporção diminuiu drasticamente, com o agora município de Luís Eduardo Magalhães, se tornando o maior PIB per capita da região com R$ 48.937 ficando 9 vezes maior que Érico Cardoso, último colocado na época com R$ 4.985. Essa diminuição na comparação dos PIB per capita em 2016 sinaliza alguma relação com o auge da crise econômica que atingiu o país, que encareceu a renda geral da economia local. No entanto, fatores sugestivos como o impacto da Universidade na região e outras políticas públicas podem estar relacionados com está diminuição, cabendo assim maiores estudos científicos sobre o assunto.

 

 

 

O IDHM, índice de desenvolvimento humano municipal, é um importante indicador de desenvolvimento humano, composto por três dimensões: longevidade, educação e renda. O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

O IDHM é um indicador importante de riqueza e do dinamismo econômico, principalmente o urbano. Dessa forma, analisando algumas cidades pertencentes ao território UFOB: Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Irecê possuem os maiores IDHM de 2010 com 0,72; 0,72 e 0,69, respectivamente, contrastando com outras cidades da região como Muquém de São Francisco, Lagoa Real e Pilão Arcado que possuem IDHM de 0,55; 0,55 e 0,51, abaixo do IDHM médio do território UFOB de 0,60 e do Estado da Bahia de 0,66. 

 

 

O IVS, índice de vulnerabilidade social, contempla indicadores de infraestrutura urbana, capital humano, e renda-trabalho.  Assim como o IDHM, o índice varia de 0 a 1. No entanto, quanto mais próximos de 1 maior o índice de vulnerabilidade social. O IVS é um indicador que olha a questão social de maneira mais apurada, mais precisa. Observa-se no território UFOB casos extremos de grandes contrastes sociais com esse índice. Cidades como Riachão das Neves e Jaborandi possuem indicadores de PIB per capita maiores que a média dos 80 territórios, porém dispõem de índices de vulnerabilidade social em 2010 maiores que a média da região de 0,44. 

 

 

 

As discrepâncias regionais do território UFOB continuam quando se analisa o índice de Gini. O índice de Gini é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de zero a um. O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. Cidades com PIB per capita muito acima da média do território UFOB como Jaborandi, Luís Eduardo Magalhães, Bom Jesus da Lapa e Formosa do Rio Preto, apresentam os maiores índices de Gini da região com 0,62, 0,62 e 0,60, respectivamente, demonstrando que a renda dessas cidades está bastante concentrada em pequenas parcelas da população. 

 

 

Dessa forma, os indicadores de desigualdade social do Oeste Baiano e municípios do território UFOB apresentam cenários de extrema desigualdade social. A chegada da Universidade acabou por desenvolver outros setores da economia antes muito focados nas atividades agropecuárias trazendo grandes benefícios as cidades sedes e seus entornos. Ao ser lançada novas séries históricas de indicadores de desigualdade social, desenvolvimento humano e concentração de renda poderemos avaliar o real impacto da implantação da Universidade na qualidade de vida da população local.

 

Bibliografia

[1] BAIARDI, A., Desenvolvimento rural e consolidação da moderna agricultura familiar: de colonos e neo-farmers, em Bahia Análise & Dados. 2004, Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia.

 

[2] FERREIRA, C. & DOS SANTOS, R. E., Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável do Velho Chico. 2008, Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco: Ibotirama, BA

 

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